100 dias: Goiás à espera do Governador

Ao completar 100 dias de gestão, o Governo Ronaldo Caiado ainda tem como desafio a identificação de um caminho a ser seguido por ele e por seus auxiliares. Até agora, o governador deixou como marca o tipo de tratamento que deu a alguns temas e segmentos estratégicos para o crescimento do Estado.

E esta forma de tratamento mostrou-se preocupante.

Aos servidores, a mensagem foi de arrocho: a decisão política de não pagar o salário de dezembro sob a alegação de ser uma dívida herdada ganhou novo significado com a entrada, por parte do atual governo, de ação no STF com o objetivo de garantir legalmente a redução de salários dos trabalhadores. Por enquanto, a vontade de promover a valorização dos trabalhadores públicos estaduais ainda não aconteceu.

Aos prefeitos, o recado é igualmente duro. Os gestores municipais tiveram a notícia de que as obras iniciadas por intermédio do convênio firmado no programa Goiás na Frente não vão mais acontecer. Novamente uma decisão política suspendeu o programa sem, para isto, sinalizar um novo caminho para terminar projetos municipais. Além disto, o Governo recomendou que os prefeitos assumam incumbências que são de competência estadual, como a conservação das estradas goianas.

Aos empresários, sinalizou com o corte de incentivos fiscais previamente acordados, gerando demissões – como o caso da Mitsubishi em Catalão – e o refreamento por insegurança de empresas que tinham intenção de se instalar em Goiás.

O saldo deste cenário se soma à agenda do governador Ronaldo Caiado, que tem passado muito tempo fora de Goiás, em articulações políticas envolvendo a participação do seu partido, o DEM, no Governo Federal. Ao invés disto, poderia dar atenção às demandas de aliados. Caiado ainda precisa atender aos anseios das lideranças que foram decisivas em sua campanha nas cidades goianas e que, agora, seguem à espera de que o governador faça política e aponte o caminho.

Nestes 100 dias, o governador optou por tentar agilizar uma já demorada ajuda financeira aos estados em detrimento de usar de criatividade na busca de soluções internas.

A energia gasta nestas viagens poderia ser colocada em favor de Goiás. Porque se há problemas que dependem de grandes articulações, há outros, menores, que dependem do diálogo, da presença do governador na tomada de decisões e que, com sua ausência, tornam-se impasses que dificultam a agenda cotidiana.

Gerir é definir prioridades, estabelecer metas e fazer muito com o pouco que se tem. O contrário disto é gastar dinheiro, somente.

Os simbólicos 100 dias servem para a apresentação de uma mudança de mentalidade, da apresentação de um novo estilo e, sobretudo, da identificação de um caminho a ser trilhado. Os goianos, neste momento, seguem à espera deste anúncio.

No retrato destes 100 dias, na Política, o Governo Caiado não dialoga com as lideranças de Goiás, não ouve seus aliados e deixa de lado suas demandas. E erra na Gestão quando não dá o foco necessário na resolução dos principais problemas da administração, evidenciando falta de planejamento para combater os desafios do Estado.

Antônio Gomide foi prefeito de Anápolis (2009 – 1014) e é Deputado Estadual (PT)

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