“A CPI veio até a onde o povo está para mostrar a realidade dos goianos à Enel”, diz Gomide durante reunião em Anápolis

Pela primeira vez a Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga a atuação da Enel em Goiás realizou uma agenda fora da Assembleia Legislativa. Os integrantes da CPI foram até a Câmara Municipal de Anápolis a fim de ouvir os vereadores e os cidadãos anapolinos que compareceram à audiência para dar a sua contribuição.

O objetivo da reunião foi exatamente este: aproximar os trabalhos da CPI da população. Uma das falas mais marcantes foi a da produtora rural Amélia Mendes, que falou em nome dos produtores rurais da região do Piancó, em Anápolis. Ela relatou a agonia que passou quando tentou encontrar um atendimento junto à Enel.

Amélia relata que, por conta de um desacordo na fatura, recebeu a cobrança de 49 talões de energia. “Como eu poderia ter 49 talões em aberto se com a segunda conta em aberto a energia é cortada? Fui ameaçada, disseram que iriam com a polícia lá tirar o meu relógio. Me cobraram uma quantia de R$ 70 mil. Eu paguei R$ 40 mil e depois apareceram mais 22 talões. Fui à Justiça e cheguei a ficar 25 dias sem energia. Meu prejuízo com a plantação foi de R$ 125 mil”, revelou a produtora.

Para o deputado Antônio Gomide (PT), a fala de Dona Amélia é um reflexo da realidade de Goiás e um testemunho importante para fazer com que a empresa saiba qual é o cotidiano do consumidor diante da postura da empresa. O deputado participou em nome da CPI, junto com os deputados Chico KGL (DEM) e Amilton Filho (SD)

“Quando ouvimos o representante da Enel falando, parece que estamos em outro Estado, que está tudo bem e que não há reclamação alguma. Nós, que somos os representantes do povo, viemos até a Casa do Povo, que é a Câmara Municipal, para que a CPI e a empresa enxerguem o que ela está causando. Nós sabemos que a empresa é a pior no fornecimento de energia do Brasil. Isto está no ranking da Aneel”, disse o parlamentar.

“Se a empresa chegasse aqui, na Câmara de Anápolis, e dissesse que não está prestando um bom trabalho, se reconhecesse que há dificuldades no Daia, isso seria diferente. Mas está falando que está tudo bem. Enquanto isto, o povo está com saudade da Celg”, completou Gomide.

O deputado estadual, que foi prefeito e vereador em Anápolis, criticou a postura da empresa em não reconhecer suas falhas e, com isto, ignorar a situação de pessoas como a produtora rural. “São milhares de Donas Amélias espalhadas por Goiás, que passam por dificuldades e não tem nem onde reclamar e nós não ficamos sabendo disso. Por isto a CPI se reunir no parlamento é importante porque aqui estão os representantes da população, dos bairros”, completou.

Para Gomide, este descaso é o “clamor da CPI”. “É pelas donas Amélias que seguimos este trabalho, é por esta postura da empresa diante de casos assim que se justifica estarmos fazendo uma CPI”, finalizou

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